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Empresários espalham pânico para anteciparem troca de trabalhadores e redução de salários.
 
27/01/2009 - ECONOMIA
A proposta do Sindicato. Sérgio Nobre
Por: Sérgio Nobre
Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC É fato o oportunismo de alguns empresários que querem usar o pânico disseminado pela crise como motivo para acelerar a troca de trabalhadores e a redução de salários, diz Nobre:
A crise econômica tem saída e, com certeza, ela não está nas demissões em massa muito menos na redução de salário, mas sim na retomada do crescimento do País. Não é momento de buscar culpados nem vítimas. A hora é de somar forças e inteligências e colocar à mesma mesa os sete prefeitos, empresários  e trabalhadores para, de forma pragmática e desarmada, analisar os impactos da crise. Mais que isso: diante de um diagnóstico real, buscar caminhos, sugerir, propor alternativas.
Os Metalúrgicos não vão sentar sobre o problema. O Sindicato não só foi às ruas e portas de fábrica para combater demissões e propostas patronais recessivas, mas também subiu a rampa do Palácio do Planalto, para levar sugestões concretas ao governo federal.
E já temos o apoio do presidente Lula para realizar em fevereiro, um seminário envolvendo atores da Região para saber, de fato, o tamanho do problema, pois a crise não atinge a todos os setores da mesma forma. Por isto exige diferentes propostas de curto, médio e longo prazos.
É fato o oportunismo de alguns empresários que querem usar o pânico disseminado pela crise como motivo para acelerar a troca de trabalhadores e a redução de salários. Reduzir os ganhos do trabalhador não é eficaz, além de ser perverso e recessivo. O momento é de tomar medidas expansivas. E trabalhador com salário menor não pode consumir, o que leva a uma queda de produção e, fatalmente, ao desemprego e à recessão.
O Brasil vem de cinco anos consecutivos de crescimento econômico, no qual as empresas bateram recordes de produção, venda e faturamento. Portanto, não há motivo para falar em demissões em massa, muito menos em corte de salário sem antes esgotar todos os mecanismos de preservação do emprego. Está muito fácil e barato para o empresário brasileiro demitir. Prova disso é que, apesar do crescimento econômico sem precedentes, em alguns setores a rotatividade atingiu 40%.
Daí a importância do seminário: para que certezas e mitos sejam postos sobre a mesa, debatidos e esclarecidos de forma transparente, real. Só assim, com maturidade e responsabilidade social de todos os atores envolvidos, poderemos evitar que a crise vire o caos e que o trabalhador pague, mais uma vez, a conta de um problema que ele não criou.
Sérgio Nobre é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT.
Créditos: ABCDMaior
 
 
 
 

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